ॐ :a concha em seu ouvido trazendo o barulho do mar: ॐ

ॐ Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de alguém. E esse alguém pode ser tu. Um espaço com pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio. Um espaço onde podemos anteceder suspiros e adiantar desesperos. Ou não. ॐ
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:: Sábado, Setembro 03, 2005 ::

Em setembro, a Lua nova acontece no signo de Virgem, no sábado (03/09), às 15h46. Esta é a data ideal para fazer a meditação.

A Lua nova em Virgem aponta o início de um novo ciclo de vida, representado pelo Zodíaco. É a hora de manifestar no plano material todo o impulso criativo de Leão, mas de maneira fluente e aberta para interagir com o meio.

Virgem representa o momento de semeadura do aprimoramento pessoal, da capacidade de servir a um ideal, de maior discernimento e do potencial de cura e proteção dos recursos materiais.

Volte-se para o Leste, de preferência sentado ou pelo menos com os dois pés descalços em contato com o chão - Virgem ativa o elemento Terra. Se possível, evite o uso de materiais sintéticos, pois este é o signo da natureza.

Com as mãos abertas em direção ao Leste, como que recebendo as emanações da Lua nova, feche os olhos e imagine uma planície regada por um pequeno riacho. Nessa planície há um pomar, uma horta e um jardim florido. Anote o estado dos frutos e das flores que enxergar, pois eles representam seus próprios frutos e flores. O tempo é ameno, o clima é fresco e você deve colher alguns dos vegetais e flores para levar até uma pequena cidade que vê ao longe, na linha do horizonte. Anote quais vegetais pegará e a aparência da cesta, pois representam seus mecanismos de trabalho.

Depois de colher, caminhe em direção à cidade. No caminho, você percebe animais. Anote quais e como são, pois são seus atributos pessoais que irão ajudá-lo nas realizações. Chegando na cidade, você se dirige a um pequeno mercado em que muitas pessoas estão vendendo, trocando e comprando os frutos da terra. Perceba como ele é e se existe ordem, limpeza e organização. Este mercado representa a dimensão das suas trocas em todos os níveis da vida.

Escolha o que comprar, o que vender e o que trocar -sempre lembrando de prestar muita atenção em tudo o que ocorrer durante essa transação, pois são símbolos do que pode dar e receber das pessoas.

Em determinado momento, uma mulher jovem e bonita chega e declara que não vai comprar, nem trocar nem vender nada para você. Ela representa a deusa Astreia, símbolo celeste do signo de Virgem. Você a inquire, para saber quais são os motivos. Anote o que ela disser, pois representam os pontos e aspectos que você precisa aperfeiçoar para aumentar o padrão de qualidade do que cria.

Depois, você caminha até o lado direito do mercado e percebe um pequeno agrupamento de pessoas que quer trocar com você o conteúdo da sua cesta. Pergunte sobre os motivos pelos quais você obteve a preferência. Anote-os, pois identificam os itens que você precisa ressaltar na sua relação com o mundo.

Por fim, você se volta para o campo de onde partiu. No retorno, visualiza um Sol e uma Lua unidos, representando o casamento simbólico da lunação. Ambos estão posicionados à sua frente e adquirem as cores da terra e do campo. Você une as duas mãos sobre a cabeça e pede que as sementes de humildade, senso prático e discernimento sobre a vida sejam plantadas no seu coração.

Finalmente, você abre os olhos lentamente.


:: 7:58 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Sexta-feira, Setembro 02, 2005 ::

mas não..




então tu percebe que aquela pessoa é especial e tem um brilho.. é, a pessoa brilha. é simples, tem um energia diferente. porque depois da chuva, vem o sol. porque ainda existe o sol e o céu ainda é azul, e não mais cinza. é como o vestido da menina que levanta por causa do vento, como todas as cores numa partida de futebol, como o verde-azulado do mar. e então ela aparece e tu te sente abençoado pelo nosso senhor do bonfim.

:: 9:08 PM ::

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As dez perfeições

Jetsün Mila

[1] Abandone perfeitamente a crença em qualquer existência verdadeira;
Não há outra generosidade.

[2] Abandone perfeitamente a malícia e a falsidade;
Não há outra ética.

[3] Transcenda perfeitamente todo o medo do significado verdadeiro;
Não há outra paciência.

[4] Permaneça perfeitamente inseparável da prática;
Não há outro esforço.

[5] Permaneça perfeitamente no fluxo natural;
Não há outra concentração.

[6] Realize perfeitamente o estado natural;
Não há outra sabedoria.

[7] Pratique perfeitamente o Dharma, em tudo o que fizer;
Não há outros meios hábeis.

[8] Conquiste perfeitamente os quatro maras;
Não há outro poder.

[9] Realize perfeitamente a dupla dupla [de liberar a si e aos outros];
Não há outra aspiração.

[10] Reconheça perfeitamente a própria fonte das emoções negativas;
Não há outro conhecimento.


:: 7:54 PM ::

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:: Quarta-feira, Agosto 31, 2005 ::

Minta você também

Por Xico Sá

O macho gasta mentira a torto e a direito, principalmente quando não precisa. Mente muito. E mal. É nosso defeito de fabricação: alô Procon, recall de homem já! Mulher não mente, ilude, como um David Cooperfield. Mulher tem a manha da narrativa e da verossimilhança, mesmo quando baixa um Dorian Gray, e ela tenta driblar o tempo e o calendário. Falar nisso, uma velha advertência: nunca confie em uma mulher que não mente a idade. Uma fêmea que não faz isso é capaz de coisas muito piores, é capaz de tudo. Cuidado. Minto, logo posso ser amado.

Vejo um certo prazer sádico nos detectores femininos. Elas adoram nos flagrar no meio do ciclone de contradições e incoerências. Nada mais insuportável do que um homem que não mente. O homem sincero é sempre o pior canalha. O homem dito sincero e virtuoso, do tipo que tem ONG para ajudar os sem-alguma-coisa, do tipo que faz trabalho voluntário, é o mais vagabundo dos canalhas. Até sua virtude prevarica(...)

O amor não sobrevive em um ambiente sem mentiras. A sinceridade extremada, esse fundamentalismo dos pobres de espírito, torna a vida insuportável, autoritária, sem fantasias. As pequenas mentiras dão graça ao lar-doce-lar. Se eu tivesse um caminhão, escreveria no pára-choque: uma mentira a mais é um desgosto a menos. Como são arrogantes os que dizem dizer somente a verdade, essa impostura cristã de terceira categoria. Quem tiver suas verdades que me poupe delas. Que mintam e me agradem, que mintam e me bajulem, que mintam e divirtam a humanidade.

Responda rápido: você prefere ouvir um "você é a mulher mais gostosa deste mundo" (mesmo ciente do exagero retórico do camarada) ou um sincero "não é por nada não, meu amorzinho, mas sua bunda está muito caída"?

De verdade basta a lei da gravidade. E tem mais um grafite de saideira: não compre jornal, minta você mesmo!

:: 8:58 PM ::

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:: Terça-feira, Agosto 30, 2005 ::

So-le-tran-do

Ontem à noite, enquanto soletrava baixinho o teu nome no escuro do quarto, contam que um bando de estrelas aproximou-se da janela para escutar melhor o que eu dizia. Contam... mas não se deve acreditar em tudo que dizem por aí. Principalmente quando não se sabe quem conta o quê. Pois bem, como ia dizendo, soletrei o teu nome umas seis ou oitenta vezes, afinal, a prática nos leva à perfeição. E posso abrir o direito de me gabar, pois estou com a forma de soletramento tão invejável que uma música caribenha saltou da vitrola a girar na casa do vizinho para, despejada no canto do quarto, passar a ser minha ouvinte. Mas voltemos ao que eu estava explicando. Soletrava teu nome quando almas noturnas atravessaram as paredes e, paradas na cabeceira da cama, observavam meus lábios a moldurar suas sílabas. Dado meu ceticismo desenfreado, não cogitei sequer um simples arrepio de temor. Continuei a soletrar teu nome no escuro, apesar das aranhas venenosas que desciam do teto, penduradas em suas finas teias, prontas a escutar minha voz trabalhando. A pobre mosca, grudada na eficiente armadilha aracnídea, poderia ser degustada mais tarde. Agora estava, já disse, soletrando teu nome quando um assaltante abriu subitamente a porta do quarto. Arma em punho, se não me engana a penumbra, apontada para minha boca. Sobre terríveis ameaças, continuem a soletrar teu nome, envolto por um gelado vento a torturar cruelmente meu nariz com frias estocadas. Soletrado, teu nome ganhou contorno nas asas das 574 borboletas que pintavam de arco-íris o teto do quarto.

E assim, por toda noite, enquanto soletrava teu nome, todas as espécies de animais, todos os tipos de astros celestes, toda sorte de monarcas ou mesmo todos os tipos de seres fantásticos, passaram pelo meu quarto. Entretanto, como em uma coreografia laboriosamente ensaiada, quando um deles terminava de escutar minha boca pronunciando a última sílaba do teu nome, colocava-se a marchar em direção à tua casa, sem ao menos questionar se você estaria também a soletrar meu nome ou se ignorava totalmente esta minha literária paixão.

Alisson Villa



:: 3:35 PM ::

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